Ato solitário e protesto pela morte de mais 260 vítimas da Covid-19 em Parintins

Espalhamos cruzes vermelhas pelo chão simbolizando as vidas perdidas no município e tornamos público o Manifesto pelo Direito à Saúde e à Vida Digna. Documento subscrito por cerca de 50 assinaturas, que segue para ser protocolado nos órgãos de fiscalização.

Ato solitário e protesto pela morte de mais 260 vítimas da Covid-19 em Parintins  Durante manifestação teve encenações sobre o ser humano morrendo por falta de oxigênio Notícia do dia 25/02/2021

Participei de um ato simbólico na praça da Catedral, em Parintins, na quarta-feira (24/02). Foi um ato em solidariedade às mais de 260 vítimas da Covid-19 no município e um ato de protesto por melhorias na assistência de saúde aos parintinenses. Éramos poucas pessoas, claro, não podíamos promover aglomerações. Um grupo formado por cidadãos e cidadãs parintinenses, de diferentes idades e segmentos sociais, unido pela solidariedade e pela indignação.

O protesto acontece após inúmeros relatados publicados nas redes sociais e notícias na imprensa nacional denunciando falhas no atendimento a pacientes da Covid-19 em Parintins. Espalhamos cruzes vermelhas pelo chão simbolizando as vidas perdidas no município e tornamos público o Manifesto pelo Direito à Saúde e à Vida Digna. Documento subscrito por cerca de 50 assinaturas, que segue para ser protocolado nos órgãos de fiscalização.

Participar do protesto significa para mim não apenas um ato cidadão, mas também um ato de fé. Protesto porque minha fé em Jesus Cristo não me deixa na empatia e no comodismo, me empurra para a ação.

Protesto porque ser um discípulo de Jesus não me permite ser morno, me obriga a me posicionar. Como bem disse o arcebispo anglicano, Desmond Tutu, Nobel da Paz: “Se você fica neutro em situações de injustiça, você escolhe o lado do opressor”. 

Protesto porque não posso fechar os olhos para os fatos que estão diante de mim, tapar os ouvidos para o choro dos enlutados e emudecer diante de injustiças.

Protesto porque oro e porque oro Deus me faz resposta e a resposta exige ação.

Protesto porque acredito que é possível construir uma sociedade melhor e não posso me furtar desse dever.

Protesto porque sei que precisamos cobrar as autoridades para que cumpram com zelo suas atribuições e que posso fazer isso de forma respeitosa, com sobriedade, sem ofensas ou calúnias.

Protesto porque quero que minha mãe, tios e tias envelheçam numa cidade que proporcione uma qualidade de vida melhor.

Protesto porque quero que meu filho e minha filha cresçam numa cidade com menos violência, mais justa, com educação de qualidade e com seus direitos básicos devidamente efetivados.

Protesto porque lutar por tudo isso significa, para mim, colocar em prática a máxima do evangelho: “AMAR AO PRÓXIMO COMO A MIM MESMO”.

Texto: Phelipe Reis é Jornalista